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La Crisis del Senado Brasilero
Published on July 1, 2009 By askain In Democrat

Entrevista ao jornal Hoje em Dia - 29/6/2009

SEG, 29 DE JUNHO DE 2009 18:32

 

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) tem sido um dos maiscombativos na crise do Senado. Foi o primeiro a sugerir o afastamento do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), para a apuração das denúncias. Em entrevista exclusiva ao Caderno Brasília, Cristovam revela que até pensa em não se candidatar, mas acha que tentará a reeleição. O senador nasceu emRecife, tem 65 anos, é formado em Engenharia Mecânica e doutor em Economia. Foi reitor da UnB, governador do DF e ministro da Educação.

 

Hoje em dia - O senhor defende a renúncia do presidente do senado, José Sarney? Não. Defendo a licença do senador José Sarney por 60 dias. É uma sugestão que faço para que ele dê liberdade ao vice-presidente do Senado, Marconi Perillo, de assumir o cargo e conduzir
com velocidade melhor o processo de esclarecimento de tudo que está pendente.

Hoje em dia - De quem é a culpa da crise no Senado? A culpa é de uns e de outros, mas é claro que o presidente do Senado encarna a maior parte da culpa. Só que a crise merece uma análise mais profunda. Ela vem de anos quando se deu poder a
um grupo de servidores por muitotempo. Sempre que alguém que ocupa o poder por muito tempo acaba se sentindo dono, e se não for exageradamente escrupuloso termina cometendo atos indignos, ilegais, e manipulando. Por outro lado, tanto o Senado como a Câmara estão em crise
por razões estruturais e não apenas morais.

Hoje em dia - Quais?

Um motivo é que o Senado se reúne dois dias por semana. Não tem como o Senado funcionar desse jeito. O senador vai para sua base e trabalha duramente, até mais do que no Senado, mas a Casa não funciona se todos não estiverem aqui. Por outro lado, temos uma velocidade muita lenta em um mundo que é muito rápido. De duas formas isso nos afeta. A primeira é a demora em aprovar as leis. Aí se criou a medida provisória, que ocupa o papel do legislador. Depois o Judiciário se apoderou de algumas atividades legislativas.O Congresso ficou um poder inoperante. A opinião pública não vê o resultado do nosso trabalho. Outro problema é que os problemas concretos da sociedade não chegam ao Congresso.

Temos um Brasil querendo resistir à morte,
com concentração de renda, industrialização mecânica e da depredação ambiental, e tem um Brasil que está querendo nascer, com distribuição da renda, economia do crescimentoe equilíbrio ecológico.

O Senado não consegue ser o parteiro desse novo Brasil e isso nos desmoraliza.
E finalmente há uma crise técnica. Houve mudanças nas relações entre o político e seu eleitor, graças à internet e ao telefone celular, e o Congresso ainda não se adaptou a isso. Antigamente a gente só prestava conta de quatro em quatro anos.

Agora, temos de prestar contar de quatro
em quatro minutos. Ainda não nos acostumamos à democracia participativa em tempo real. Tudo isso gera um caldeirão de uma crise ética na superfície e uma estrutural na engrenagem, que
não é vista, mas é extremamente danosa.

Hoje em dia - Qual a solução para esses problemas estruturais? Defendo que o Congresso se reúna continuamente ao longo de meses e depois os parlamentares poderiam ficar meses nas bases. Ou que os parlamentares estejam nas bases em períodos
que não afetem o trabalho legislativo. Além disso, temos de ter outros procedimentos para sermos mais ágeis na avaliação dos projetos que aqui estão.

Hoje em dia - É possível que todos esses atos cometidos pela direção do Senado não fossem de conhecimento dos senadores? É possível. Lamentavelmente, isso não é uma desculpa, mas um explicação.A verdade é que nos acomodamos ao deixar a gestão do Senado para os funcionários e ficamos fazendo política.
Com isso, nós perdemos o controle. Acredito que a maior parte dos senadores, por omissão,
não tinha conhecimento desses fatos. Eu me incluo entre os omissos. Aliás, eu moro
em Brasília, mas me incluo entre aqueles que ficam poucos dias no Senado, porque viajo pelo Brasil inteiro defendendo minhas bandeiras. Poderia ficar aqui mais tempos e as regras fossem outras.

Hoje em dia - Quem indicou o novo diretor-geral do Senado foi o 1º secretário, Heráclito Fortes, e não o presidente, José Sarney. O senhor concorda comisso? Estou de acordo com o senador Mão Santa, quando diz que o fato de o senador Sarney ter passado a escolha do diretor-geral para o 1º secretário é uma prova de que ele não estácom garra para o cargo. A biografia do Sarney é maior que o cargo. Isso é muito ruim. É a mesma coisa
que colocar o Pelé para jogar em campo de pelada. Ele nãovai querer quebrar a perna.
O Sarney acaba não tendo garra, vontade, paixão para fazer seu trabalho. Ao contrário
de alguém que poderia subir por causa do cargo de presidente do Senado. O Sarney não vai subir por causa do cargo, que nada vai acrescentar à sua história. Então ele deixa a gestão para
outros. É um desprendimento que passa a ideia de desapego. O Senado precisava de
alguém que a vida dependesse do cargo.

Hoje em dia - O nome do senhor acabou aparecendo na questão dos atos secretos por causa da nomeação da sua mulher para a liderança do PDT. O que realmente aconteceu? Meu nome apareceu duas vezes. A primeira, sem nenhuma razão, foi sobre uma funcionária da Comissão de Educação, que foi nomeada publicamente e da qual tenho o maior orgulho. O caso da minha mulher foi que ela seria emprestada para a liderança do PDT do Senado depois de mais de 25 anos de trabalho na Câmara. Quando ela soube que teria uma gratificação e não seria um empréstimo sem custo se recusou a assumir e nem chegou a tomar posse. Houve a anulação do ato e não sei por que surgiu a ideia que a anulação não tinha sido publicada. Mas verificamos que o ato tinha sido publicado normalmente.

Hoje em dia - A que o senhor atribui o envolvimento do seu nome nesses casos? Não sei. Muitos senadores não sabem como foram parar na lista publicada pelo jornal "Estado de S. Paulo". O que pode ter sido feito para me atingir foi a divulgação por e-mail da nomeação da
minha mulher para a liderança  do PDT, que dias depois foi anulada. Mas só saiu a primeira parte.

Hoje em dia - Qual era sua avaliação sobre o Agaciel Maia?
Um cara simpático. Gostava do fato de ele escrever artigos nos jornais. Nunca tive maiores relações com ele. Só tive um incômodo com ele.

Quando o senador completa os primeiros quatro anos do mandatotem o direito de pedir gabinetes melhores. Meu gabinete fica no pior lugar do
Senado. Não tem nem janela. Então, em 2006, pedi para mudar e indiquei três gabinetes.
O do Darcy Ribeiro, o Francisco Dornelles disse que era uma tradição do Rio de Janeiro e abri mão. O da Heloísa Helena, ela pediu para ficar com o José Nery, que também é  do Psol.

Sobrou outro  gabinete que não veio para mim. Depois descobri que o Joaquim Roriz e o Jarbas Vasconcelos, eleitos em 2006, tinham recebido gabinetes melhores. Quando o Roriz renunciou, o Agaciel me ofereceu o gabinete dele, mas recusei.

Hoje em dia - Quando o Senado irá sairdacrise? A grande pergunta é por quanto tempo o Senado ficará nessa situação ruim até que se transforme numa desmoralização que leve a uma crise institucional mais profunda. Temo que chegue um
dia em que não poderemos andar na rua.

Daqui a pouco as pessoas vão se perguntar como que um cara sério continua no Senado e vão perder o respeito por todos que estiverem no Senado. Se houvesse uma eleição hoje haveria dois grupos de senadores: os que não se reelegeriam e os que não seriam candidatos.

Ou seja, ninguém voltaria. O Senado vai sair dessa crise, mas não sei quando. A diferença entre o otimista e o louco é que o louco marca prazo.

Hoje em dia - O senhor pensa em não se candidatar?
Eu penso todos os dias, porque minha mulher, minhas filhas e colegas da UnB são absolutamente contra. Na rua, a reação é outra.

Dizem que seria pior sem mim no Senado. Quando entrei na
política estudantil tinha medo de me sujar de sangue. Agora tenho medo de me sujar com lama.

Hoje em dia - O senhor defende que o PDT tenha candidato próprio a governador ou faça
uma aliança como PT? Apoiar o PT não depende da gente. Não pode ser um apoio gratuito. Tem que saber o que o PDT cresceria coma aliança. Uma coisa importante para o PDT é a minha reeleição. O PT tem dito
que tem lugar para mim na chapa, mas eu não estou tão confiante, porque o Lula pode precisar dessa vaga para viabilizar a eleição da Dilma Rousseff. Por isso, hoje estamos como deputado Reguffe como candidato a governador e estamos trabalhando para irem frente com ele.

Hoje em dia –

O senhor havia declarado que poderia ser candidato a presidente novamente. Porque desistiu? Não desisti. Quero ser candidato a presidente, mas não posso, porque o PDT não terá candidato. Provavelmente, o PDT irá apoiar a Dilma Rousseff.


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